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	<title>A Odisséia de um Sofista</title>
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	<description>de volta à Estória...</description>
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		<title>A Odisséia de um Sofista</title>
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		<title>D.O.G. &#8211; Uma can&#231;&#227;o de gratid&#227;o</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 03:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canções]]></category>
		<category><![CDATA[Bandit]]></category>
		<category><![CDATA[Cérebro]]></category>
		<category><![CDATA[Coração]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Antes de você eu era só planos. E você me ensinou a viver. Antes de você eu enxergava com meu cérebro. E você me ensinou a ver com o coração. Antes de você eu já sabia de tudo. E você me ensinou a desaprender&#8230; Quando você chegou aqui, eu tinha planos racionalmente traçados, por [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=131&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p align="center">Antes de você eu era só <font color="#ff8000">planos</font>. E você me ensinou a <font color="#ff8000">viver</font>.</p>
<p align="center">Antes de você eu enxergava com meu <font color="#ff8000">cérebro</font>. E você me ensinou a ver com o <font color="#ff8000">coração</font>.</p>
<p align="center">Antes de você eu já <font color="#ff8000">sabia</font> de tudo. E você me ensinou a <font color="#ff8000">desaprender</font>&#8230;</p>
<p align="center">Quando você chegou aqui, eu tinha planos racionalmente traçados, por meu cérebro, para um cão perfeito. Mas você, com suas imperfeições de cãozinho comprado na rua, ganhou meu coração.</p>
<p align="center">Meu cérebro planejava um cãozinho que não latisse. Mas seu primeiro gritinho estridente e incontrolável conquistou meu coração.</p>
<p align="center">Meu cérebro ansiava por um cão que obedecesse ao dono e que aprendesse truques. Mas sua adorável teimosia arrebatou meu coração. </p>
<p align="center">Meu cérebro planejava um cãozinho que não mordesse. Mas quando senti pela primeira vez seus dentinhos no meu dedo eu soube, com certeza, que você já tinha meu coração.</p>
<p align="center">Em todas as nossas disputas, você foi sempre o vencedor. E meu coração jubilava com o prêmio de consolação.</p>
<p align="center">E agora, meu amiguinho, você me vence mais uma vez&#8230;.</p>
<p align="center">Meu cérebro tinha certeza de que a cirurgia seria simples e rotineira e que você voltaria logo para os meus braços, são e salvo. Mas você, meu pequenininho, tinha uma última traquinagem nas mangas e frustrou minhas expectativas racionais, levando com você o meu coração&#8230;</p>
<p align="center">Eu sei que você quer que eu ria de sua gracinha. Que bata palmas e insista (sem resultados) para que você faça de novo. Mas, sem meu coração, eu sou só esse cérebro que luta herculeamente para segurar esta caneta em meio a lágrimas que, com vida própria, não param de escorrer.</p>
<p align="center">Eu queria ter escrito a canção mais linda do mundo para ti, meu amiguinho. Mas acho que a minha<font color="#ff8000"> canção</font> mais linda já foi você.</p>
<p align="center">Você foi minha alegria, minha esperança, minha <font color="#ff8000">estrelinha</font>&#8230;</p>
<p align="center">Vai com Deus (G.O.D.) Banditinho! Um dia a gente se encontra e te dou a risada que prometi&#8230;</p>
<p align="center"><font color="#ff8000">05/06/01 – 13/07/10</font></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center"><a href="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2010/07/cal_hobbraccoon9.jpg"><img style="display:inline;border-width:0;" title="cal_hobb-raccoon9" border="0" alt="cal_hobb-raccoon9" src="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2010/07/cal_hobbraccoon9_thumb.jpg?w=472&#038;h=138" width="472" height="138" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=131&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>[Exerc&#237;cio #1]</title>
		<link>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2010/03/31/exerccio-1/</link>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 04:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Exercícios]]></category>
		<category><![CDATA[Exercício]]></category>
		<category><![CDATA[Teimosia]]></category>

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		<description><![CDATA[Mama, just killed a man… &#160; Se suas escolhas te levaram por um caminho de pedras que cortam seus pés a cada passo e deixam para trás um rastro de sangue: caminhe mesmo assim. Se suas desilusões insistem em quebrar seus sonhos e em te impor uma realidade fria e insossa que suga cada gota [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=121&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 align="center"><font color="#ff8000">Mama, just killed a man…</font></h5>
<p align="center">&#160;</p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Se suas escolhas te levaram por um caminho de pedras que cortam seus pés a cada passo e deixam para trás um rastro de sangue:</font><font color="#ff8000"> <strong>caminhe</strong></font> </font><font color="#808080">mesmo assim.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Se suas desilusões insistem em quebrar seus sonhos e em te impor uma realidade fria e insossa que suga cada gota de sua cor:</font> <strong><font color="#ff8000">sonhe</font></strong> </font><font color="#808080">mesmo assim.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Se quando olha para frente as cicatrizes do passado voltam a se abrir e turvam sua visão com o fel da experiência:</font> <strong><font color="#ff8000">olhe</font></strong></font><font color="#808080"> mesmo assim.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Se o medo de cair bambeia suas pernas e acimenta sua vontade, tornando quase impossível de se levantar:</font><strong><font color="#ff8000"> caia</font></strong> <font color="#808080">mesmo assim,</font><strong><font color="#ff8000"> levante</font></strong></font><font color="#808080"> mesmo assim.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Se tudo indica que, novamente, você caminha para o mesmo erro:</font><strong><font color="#ff8000"> erre</font></strong> </font><font color="#808080">mesmo assim.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">Somos uma</font> <strong><font color="#ff8000">corda</font></strong></font><font color="#808080"> esticada do abismo à santidade, do macaco ao super-homem.</font></p>
<p><font color="#ffffff"><font color="#808080">E, errar é humano, mas</font><strong><font color="#ff8000"> teimar</font></strong></font><font color="#808080"> é divino!</font></p>
<p><font color="#ff8000"></font></p>
<p align="center"><font color="#ff8000">Anyway the wind blows….</font></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=121&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>[Terceira Intermissão]</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 16:28:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Intermissões]]></category>
		<category><![CDATA[diamante]]></category>
		<category><![CDATA[Oito]]></category>
		<category><![CDATA[Oito estórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Diamond in the rough . Oito estórias. Somos feitos de oito estórias. Isso. Oito. Pode contar. Na verdade, é quase certo que perderá a conta&#8230; Oito estórias que se repetem. Que se repetem eternamente – ou o equivalente a uma eternidade na pequena duração de uma vida. Oito estórias com diferentes nomes, diferentes rostos, diferentes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=111&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#000000;"><span style="color:#ff6600;">Diamond in the rough</span></span></strong></p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#ff6600;">Oito estórias</span></strong>. Somos feitos de oito estórias. Isso. Oito. Pode contar. Na verdade, é quase certo que perderá a conta&#8230;</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias que se repetem. Que se repetem <span style="color:#ff6600;"><strong>eternamente</strong></span> – ou o equivalente a uma eternidade na pequena duração de uma vida. Oito estórias com diferentes nomes, diferentes rostos, diferentes durações, diferentes começos e diferentes fins. Mas que são sempre as oito estórias, sempre as mesmas oito estórias.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Sim, somos limitados. Mas, às vezes, em momentos mais alegres, você as acaba vendo como oito <strong><span style="color:#ff6600;">chances</span></strong> – o que, por sua vez, passa a ser muito. Oito chances de acertar. Oito chances que, na verdade, nada têm de chances, nada têm de incerto, pois são estórias que você está cansado de conhecer. Afinal, elas são apenas oito.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Apenas oito. E você ainda faz questão de esquecê-las. Mas não é totalmente sua culpa: uma pequenina <strong><span style="color:#ff6600;">estrela</span></strong> não consegue enxergar o universo que a contém, do mesmo modo que um peixe não pode entender o que é a água. Oito maneiras de não se entender nada. Oito chances de se perder.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Oito intermináveis estórias. Mas também oito <span style="color:#ff6600;"><strong>viradas de página</strong></span>. Oito vezes oito vezes oito vezes&#8230; Cada uma mais dolorosa que a anterior. Mas acho que deve ser assim: oito tentativas de acordar, oito tapas na bunda do recém-nascido. E o safanão só tende a ficar mais violento. Mas isso também parece necessário. O sono é por demais pesado&#8230;</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Oito heróis. Oito donzelas em  perigo. Oito vilões. Oito aliados. Oito faces de um mesmo <strong><span style="color:#ff6600;">diamante</span></strong>. E o que são diamantes senão a cristalização da vida? Escrita em livros eternos, octaédricos&#8230;</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Inexoravelmente oito. Para sempre. Oito<span style="color:#ff6600;"> </span><strong><span style="color:#ff6600;">instantes</span></strong> e acabou.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;">Oito estórias. Oito. 8.</p>
<h1 style="text-align:center;"><span style="color:#ff6600;"><strong>∞</strong></span><strong><span style="color:#ff6600;"> </span></strong></h1>
<p style="text-align:center;"><strong><span style="color:#ff6600;"><span style="color:#000000;">.</span><br />
</span></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=111&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Here comes the story of the Hurricane</title>
		<link>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2009/09/21/here-comes-the-story-of-the-hurricane/</link>
		<comments>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2009/09/21/here-comes-the-story-of-the-hurricane/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 01:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estória]]></category>
		<category><![CDATA[Despedida]]></category>
		<category><![CDATA[Fim da primeira parte]]></category>
		<category><![CDATA[Furacão]]></category>

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		<description><![CDATA[uebrado por dentro, deixei aquela longa despedida cujos segundos duraram horas, as horas duraram dias e os dias duraram eternidades. A primeira parte da minha odisséia havia terminado sem mesmo que eu pudesse perceber, a não ser mais avançado em meu caminho. A vontade de olhar para trás era lacerante, mas eu sabia que não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=95&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-94 alignnone" title="Q" src="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2009/09/q.gif?w=80&#038;h=110" alt="Q" width="80" height="110" />uebrado por dentro, deixei aquela longa despedida cujos segundos duraram horas, as horas duraram dias e os dias duraram eternidades. A primeira parte da minha odisséia havia terminado sem mesmo que eu pudesse perceber, a não ser mais avançado em meu caminho. A vontade de olhar para trás era lacerante, mas eu sabia que não podia me render à tentação.  Eu devia seguir em  frente&#8230; Ou será que não devia???</p>
<p>Meus pensamentos arrebentavam minha cabeça e eu não tinha forças para contê-los. Passado, presente e futuro se digladiavam e meu peito recebia todos os golpes. A dor era forte demais e não pude evitar cair sobre meus joelhos antes de alcançar o Caminho.</p>
<p>Levantei um pouco o rosto marcado pelo peso do mundo e das minhas próprias escolhas e lá estava uma visão estarrecedora que lancetou fundo um coração já despedaçado.</p>
<p>Era uma cidade. E dou ênfase ao tempo verbal que utilizo aqui: ERA. Isso porque o que se estendia por aquele vale que se abria no horizonte à minha frente era tudo menos uma cidade: de uma rua principal sobrava apenas um buraco enorme, cavado à força de uma explosão; das casas ao longo da rua só lembranças, estilhaços do que foi, um dia, o lar pacífico de várias pessoas pacíficas; do lago tranqüilo, antes o lar de cisnes indiferentes e o abrigo para as perigosas tardes de domingo, agora se abria apenas um açude de destroços e barro; da pacata e segura rotina diária sobravam apenas uma vaga fantasia na mente dos que sobreviveram ao estrago, que não conseguia vencer a dura realidade que se forçava à mente daquelas pobres criaturas, sem forças nem mesmo para se tornar uma lembrança.</p>
<p>Aquela visão me paralisou e nem mesmo a arisca raposa foi capaz de notar a aproximação de um cidadão que subia a colina para, talvez, se colocar em uma posição que lhe permitisse ter a visão que ora se abria tão crua aos meus olhos já tão castigados. Mas algo me chamou a atenção: o cidadão não possuía o semblante desesperado que se esperava de alguém que havia perdido, senão tudo, muita coisa. Vinha calmo, passo-a-passo, indiferente (?), resignado (?), com algo que hoje eu podia jurar se tratar de um sorriso.</p>
<p>“O que te aflige meu jovem?” – Como podem ver, eu não compartilhava do mesmo semblante do meu interlocutor.</p>
<p>“O que aconteceu aqui?” – Foi só o que pude esboçar.</p>
<p>“Furacão.” – Respondeu, conciso, sem que eu conseguisse delinear qualquer traço fosse de tristeza, fosse de indignação ou mesmo de resignação em seu tom.</p>
<p>Já bastante fragilizado, não pude conter as lágrimas que já rolavam antes mesmo da confirmação daquilo que eu já havia conseguido deduzir dos estragos.</p>
<p>“Ora, não chore, meu amigo. Realmente um furacão passou por aqui. Realmente nada sobrou de nossa cidade, nossas casas, nosso lago. Realmente fomos arrancados de nosso próprio eixo. Mas tudo não durou mais que um instante. Estamos todos aqui, sobrevivemos a tudo e vamos continuar nossa vida após reconstruir tudo. Talvez possamos agora construir aquele parque que nunca tivemos coragem de construir, ou mesmo erguer uma prefeitura mais bonita. Ora, por favor, não chore! Sério! O furacão já passou!”</p>
<p>E eu conhecia tudo aquilo que ele me dizia. Eu sabia que a vida continuaria no vale, que a cidade se reconstruiria em pouco tempo, que, sim, havia estragos, mas também a possibilidade de mudar tudo aquilo que antes se mantinha mais por inércia do que por desejo. Talvez mesmo passassem a dividir suas vidas em antes e depois do furacão. Talvez mesmo se esquecessem de como viviam antes daquele furacão. E a verdade é que um furacão nunca vai embora sem levar sua fração, pois não só traz consigo aquilo que, inexoravelmente, despeja no que encontra em seu caminho, mas também leva consigo aquilo que, violentamente, arranca daqueles que ousam cruzar com ele. A verdade é que só se pode amar um furacão de longe.</p>
<p>Mas, apesar de não poder expressá-lo em voz alta, o fato é que eu não chorava pela cidade ou por seus cidadãos. E, apesar de meus olhos estarem paralisados sobre o que antes era a cidade, minha visão se estendia muito mais ao longe. As lágrimas rolavam ao mesmo tempo em que uma pergunta calada se esboçava em meu coração:</p>
<p><span style="color:#000000;">.</span></p>
<p>“E para onde vão os furacões?”</p>
<p><span style="color:#000000;">.</span></p>
<p><span style="color:#000000;">..</span></p>
<p><span style="color:#000000;">&#8230;</span></p>
<p>Sim, o mundo está ganhando&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/95/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=95&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Taprógoras</media:title>
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			<media:title type="html">Q</media:title>
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		<item>
		<title>I&#8217;ll be the one who&#8217;ll break my heart</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 03:35:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estória]]></category>
		<category><![CDATA[Estrela]]></category>
		<category><![CDATA[Florzinha]]></category>
		<category><![CDATA[Raposa]]></category>

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		<description><![CDATA[1ª Parte – A estrela á estava ele de novo, em seu mundo cinza de faz-de-conta. Entediado, estressado, estilhaçado. Mais um dia cinza começava e era difícil acordar, como sempre. Lá fora, tudo se esforçava para tentar convencê-lo de que aquele era o “mundo real”, mas sua esperança e sua teimosia infantil pareciam ser mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=87&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#ff6600;"><strong>1ª Parte – A estrela</strong></span></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-89" title="L" src="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2009/06/l.gif?w=76&#038;h=107" alt="L" width="76" height="107" />á estava ele de novo, em seu mundo cinza de faz-de-conta. Entediado, estressado, estilhaçado. Mais um dia cinza começava e era difícil acordar, como sempre.</p>
<p>Lá fora, tudo se esforçava para tentar convencê-lo de que aquele era o “mundo real”, mas sua esperança e sua teimosia infantil pareciam ser mais fortes. Coitado.</p>
<p>Acreditava piamente que aquilo tudo não passava de um sonho. Um sonho ruim, daqueles difíceis de acordar, mas ainda um sonho. E, portanto, vivia como num sonho. Ausentava-se de vez em quando, como se perdido em outros devaneios. Voltava confuso e envergonhado, o que era estranho em um sonho, mas, como disse, achava que aquele era um sonho ruim – daqueles em que você não é o herói.</p>
<p>Como em todo sonho ruim, difícil de acordar, o sonhador depositava toda sua esperança no momento do despertar – ele viria.</p>
<p>Foi então que ela apareceu como um farol na escuridão do horizonte. Seu brilho não era dos mais fortes e facilmente poderia lhe ter passado despercebido.</p>
<p>Mas não passou.</p>
<p>Lá estava ela. Pequena, solitária, única. A sua estrela. Frágil, relutante, pequenina na imensidão roxa daquele céu de faz-de-conta, com suas imensas nuvens cinza de ilusão. Mas era sua estrela. Ele a havia achado. E ela o havia esperado.</p>
<p>Afinal, o mundo ainda não havia ganhado. Pelo menos, ainda não&#8230;.</p>
<p align="center"><em>The truth lies&#8230;</em></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</span></p>
<p><span style="color:#ff6600;"><strong>2ª Parte – A florzinha</strong></span></p>
<p>Acordei ainda ofegante. A corrida exaustara minhas forças. Estava em um deserto – um grande mar de areia e esterilidade. Não sabia como acabara chegando nele, mas me conformava com o meu destino. Foi então que, andando naquele braseiro, já sedento, em um misto de febre e exaustão, que a vi.</p>
<p>À primeira vista não passou de um borrão, que quase dispensei como uma miragem, mas desde aquele momento eu já havia sido fisgado, desde aquele momento a Fortuna já estava novamente com sua roda sobre minha cabeça.</p>
<p>Curioso (e a curiosidade acaba com as nove vidas de um gato em um piscar de olhos) acabei me aproximando; e, para minha surpresa, eis que me deparo com a flor mais linda que já havia visto na minha vida. Suas pétalas exuberantes voltavam-se para o Sol escaldante do deserto e, apesar de sua aparência tão frágil e delicada, a florzinha não parecia mesmo se incomodar com os poderosos raios solares que impiedosamente incidiam diretamente sobre ela. Mas não era em sua aparência externa que residia sua verdadeira beleza: mais fundo em suas pétalas, por trás de sua bela carapaça e de seus mais afiados espinhos ela escondia o seu Tesouro mais precioso. Um Tesouro radiante que ela tentava desesperadamente esconder expondo-se ao brilho dos raios solares. Um Tesouro que continha toda sua fragilidade e essência. Um Tesouro que, mais tarde, pude saber que já havia exposto a um outro alguém que não soube lidar com a riqueza que havia lhe sido oferecida. Um Tesouro que, por ironia do Destino, eu havia conseguido vislumbrar naquela primeira vez em que a vi, mesmo que tão de relance.</p>
<p>Antes de continuar devo explicar algo. Desde que me lancei na busca da minha rosa eu descobri muita coisa sobre as flores. Conheci na teoria e, muitas vezes de perto, os mais diversos tipos dessas mais belas criações divinas. Conhecia de cor todos os cuidados que cada uma necessitava, o quanto exato de água que cada uma exigia, como reconhecer os botões mais belos que se escondiam por trás das mais afugentadoras roupagens. Conhecia as combinações de cores, os perfumes, a sensação ao toque. Conhecia também as defesas que as mais belas flores construíam ao seu redor. Conhecia, assim, os espinhos, os venenos, as ilusões de ótica, os subterfúgios. E conhecia também os meios para me desvencilhar de todas essas proteções.</p>
<p>Tudo isso eu conhecia. Nada disso me valeu quando me deparei com aquela flor.</p>
<p>Pouco a pouco ela ia penetrando, uma a uma, as minhas defesas. Toda vez que levantava minhas armas, eis que novamente elas estavam ao solo. E eu me via desarmado, desprotegido, em sua presença. Além disso, apesar de conhecer todos seus espinhos, lançava-me como um cego a eles, que, a cada vez, dilaceravam mais profundamente meu coração.</p>
<p>Em vão eu tentei me desvencilhar algumas vezes no início. Havia muito tempo em que a razão não me vencia e, ao meu lado, a raposa permanecia com minha única e lacônica companheira de viagem. Por um instante, lembrei de uma antiga promessa a mim mesmo: “Nunca mais cair de novo”. Mas promessas são tão fortes para o coração quanto uma corrente de papel é para um cão raivoso.</p>
<p>Como ainda estávamos em um deserto e ela ainda era uma florzinha, logo vesti meu manto de herói (que, perto dela, não era capaz de esconder por completo o bobo que continha) e, como um fiel jardineiro, passei a cuidar dela todos os dias.</p>
<p>Ela também cuidava de mim e isso me tocou de uma maneira inesperada. Como meu manto de herói não conseguia brilhar tanto ao seu lado, não pude assumir por completo meu já tradicional papel e, pela primeira vez há bastante tempo, permiti que alguém também cuidasse de mim, permiti que vislumbrasse o menino por trás do herói. Pela primeira vez o rei desceu de seu trono. Pela primeira vez o dragão entregou sua crina para o afago.</p>
<p>E tudo isso ela via. E, como recompensa, em alguns raros momentos, ela me permitia também vislumbrar o seu Tesouro, em um sorriso que eu tentava, em vão, manter para sempre. Mas nada é para sempre&#8230;</p>
<p>Rei deposto, dragão domesticado, manto de herói sem efeito, em pouco tempo ela estaria perto também do meu Tesouro. Mas ela notava o quanto eu havia me fragilizado e não forçava a passagem. E para compensar a nudez do rei desvelado, e a exposição do menino por trás do herói, ela costurou-me um novo manto: em pouco tempo, eu me tornava o seu Príncipe.</p>
<p>E eu era extremamente feliz naqueles breves, mas infinitos, momentos.</p>
<p align="center"><em>All flowers in time bend towards the sun…</em></p>
<p align="center"><span style="color:#ff6600;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</span></p>
<p><span style="color:#ff6600;"><strong>3ª Parte – A raposa</strong></span></p>
<p>Não em pouco tempo descobri também nela uma igual. Descobri que, como eu, ela também gostava de correr sobre as quatro patas com o vento no rosto e as presas à mostra. Como eu, vestia um manto de raposa; e o seu era ostentoso como suas pétalas ao Sol.</p>
<p>Nessa forma corremos por diversas vezes, deixando nossas marcas um no outro, tomando menos cuidado.</p>
<p>Nessa forma nos entendíamos por completo, mas sua duração era de uma fração de segundos. Logo descobri que ela não gostava de assumir esse manto e por muito tempo eu me perguntei o porquê disso; mas minhas perguntas sempre ficavam para depois enquanto eu me preocupava somente em aproveitar o máximo possível aqueles breves momentos em que corríamos juntos.</p>
<p>Foi então que comecei a notar algo que há muito tempo já havia começado, mas que, confesso, havia propositalmente ignorado em favor de uma esperança quase que infantil. Pouco a pouco, a raposa-flor se afastava de mim. Pouco a pouco, eu a sentia mais distante, arredia, assustada, selvagem. Pouco a pouco, o nosso processo de cativar ia prosseguindo em direção contrária.</p>
<p>Em um primeiro momento achei que isso ocorria, pois havíamos já começado “pelo fim” e isso, por algum tempo, alimentou um pouco mais aquela minha infantil esperança de conseguir revertê-lo. Mas não era isso.</p>
<p>Pouco a pouco, ficávamos mais distantes e não havia nada que eu podia fazer. Nada que o herói, a raposa ou o príncipe podiam fazer.  Já bastante machucado pelos espinhos e pela exaustão da corrida que me fez chegar àquele deserto, com as defesas baixas e as armas prostradas, não pude conter aquele último baque que atingiu, em cheio, meu coração.</p>
<p>Pouco a pouco, notei finalmente o que estava por trás de tudo. Por mais iguais que parecêssemos, éramos diferentes em nossa própria constituição. Não só diferentes, mas verdadeiramente opostos:</p>
<p>Ali estava eu um sofista em pele de raposa – podia grunhir, rosnar, mostrar as presas e correr em quatro patas; podia mesmo relembrar uma época em que fui só uma pequena raposa; mas ainda era um sofista fascinado com seu manto de pele alaranjada. Odiava a razão e pregava o instinto, mas o fazia como um estrangeiro que tenta, em vão, renegar suas próprias crenças em favor da simpatia do anfitrião. Buscava a espontaneidade, mas ficava limitado a uma condescendência irritante.</p>
<p>Ela era o meu exato contrário. Era uma raposa em pele de sofista – podia racionalizar, explicar, calcular, renegar suas emoções; mas o fazia como um nativo que abraça a religião do conquistador com o fervor de um crente fanático sem, contudo, notar que, por trás disso, arde o fogo de seu próprio fervor ancestral. Buscava o desprendimento, em favor de objetivos bem traçados, mas se arriscava a beirar a frieza e rigidez.</p>
<p>Não havia mais como continuar, por mais que eu tentasse forçar a marcha. As nossas diferenças cismavam em aumentar o abismo entre nós, e, para vencê-lo, eu precisava exatamente daquilo que ela não podia me dar.</p>
<p>Foi nesse dilema que desci com minha raposa-flor a colina violeta,</p>
<p>E, lá, sentamos na neve.</p>
<p>O tempo inteiro ela se manteve em silêncio.</p>
<p>“Se você me ama, por quê não me deixa saber?” – Lancei, por fim, a pergunta.</p>
<p>“Se você me ama, por quê não me deixa ir?” – Respondeu prontamente.</p>
<p>O susto foi muito grande, enquanto eu limpava a areia de meus olhos e olhava para os fortes grilhões que amarravam seus frágeis caules ao meu braço. Como sofista que era, não havia conseguido notar como a liberdade, para mim, não passava de um conceito filosófico, enquanto que, para ela, como raposa, era uma necessidade vital.</p>
<p>Com lágrimas nos olhos, um aperto na garganta e uma dor dilacerante no peito, soltei as amarras.</p>
<p>Com esmero, o Príncipe-jardineiro podou sua florzinha, ajeitou suas pétalas, levantou o cercadinho ao seu redor e certificou-se de ter regado suficientemente suas raízes. Então, sem querer olhar para trás, recolheu suas ferramentas, deixou sua flor aos cuidados do Sol, e retomou a busca por sua rosa.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Em um outro mundo, uma estrelinha buscava, com todas suas forças, manter seu fraco brilho na escuridão indiferente do céu&#8230;</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>A maiden knight&#8211;to me is given<br />
Such hope, I know not fear;<br />
I yearn to breathe the airs of heaven<br />
That often meet me here.<br />
I muse on joy that will not cease,<br />
Pure spaces clothed in living beams,<br />
Pure lilies of eternal peace,<br />
Whose odours haunt my dreams;<br />
And, stricken by an angel&#8217;s hand,<br />
This mortal armour that I wear,<br />
This weight and size, this heart and eyes,<br />
Are touch&#8217;d, are turn&#8217;d to finest air.</em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=87&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[Segunda Intermissão]</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 03:24:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Intermissões]]></category>
		<category><![CDATA[Escuridão]]></category>
		<category><![CDATA[Estrela]]></category>
		<category><![CDATA[Intermissão]]></category>
		<category><![CDATA[Mudar]]></category>
		<category><![CDATA[Sozinha]]></category>

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		<description><![CDATA[One, two, three, four, tell me that you love me more . Uma só estrela. Uma só estrela é o que você precisa. Para mudar. Sozinha, você navega pelo universo. Única. E você precisa de uma só estrela. Uma só estrela e é isso aí. Você muda. . . E nem precisa ser uma estrela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=73&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--> <!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong><span lang="EN-US">One, two, three, four, tell me that you love me more</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><strong><span lang="EN-US"><span style="color:#ff6600;">.</span><br />
</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><strong><span lang="EN-US"><br />
</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Uma</strong></span> só estrela. Uma <span style="color:#ff6600;"><strong>só</strong></span> estrela é o que você precisa. Para <span style="color:#ff6600;"><strong>mudar</strong></span>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Sozinha</strong></span>, você navega pelo universo. Única.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">E você precisa de uma só estrela. Uma só <span style="color:#ff6600;"><strong>estrela</strong></span> e é isso aí. Você muda.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;">. .</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">E nem precisa ser uma estrela grande. Uma <span style="color:#ff6600;"><strong>pequenina</strong></span> já basta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">As mudanças não são feitas de grandes explosões dramáticas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Elas vêm <span style="color:#ff6600;"><strong>devagarinho</strong></span>, sorrateiras, passam por todas as suas defesas. Como o <span style="color:#ff6600;"><strong>sono</strong></span>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">E, quando você menos espera&#8230; <span style="color:#ff6600;"><strong>Pronto</strong></span>. Você já mudou. Não há como voltar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;">. . .</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Aí resta a grande fraqueza da escuridão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Por maior que seja seu domínio, basta apenas um <span style="color:#ff6600;"><strong>ponto</strong></span>. Um único ponto de luz.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Uma só estrela. É tudo que você precisa. Uma só estrela para você <span style="color:#ff6600;"><strong>perceber</strong></span>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;">. . . .</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Sozinha, você navega pelo universo. <span style="color:#ff6600;"><strong>Única</strong></span>.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">Lembre-se disso e sua estrela virá.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><span style="color:#ff6600;"><strong>Dançando</strong></span>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/73/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=73&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Taprógoras</media:title>
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	</item>
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		<title>Where Gods get lost, beneath the Southern Cross</title>
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		<comments>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2009/02/01/where-gods-get-lost-beneath-the-southern-cross/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 16:47:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estória]]></category>
		<category><![CDATA[Correndo]]></category>
		<category><![CDATA[Cronos]]></category>
		<category><![CDATA[Cross]]></category>
		<category><![CDATA[Erros]]></category>

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		<description><![CDATA[And as we wind on down the road… nstante. Apenas um instante. Correndo. Cronos ao alcance de um&#8230; Instante. Em pouco tempo. A estrada em chamas. Se não faço sentido é porque estou correndo. Correndo o mais rápido que posso. Correndo sobre quatro patas. Feridas. Exausto. Ofegante. Tudo aconteceu tão rapidamente, alguns instantes atrás. Os [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=65&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">And as we wind on down the road…</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US"><br />
</span></em></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><img class="alignnone size-full wp-image-38" title="i" src="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2008/08/i.gif?w=54&#038;h=102" alt="i" width="54" height="102" />nstante. Apenas um instante. Correndo. Cronos ao alcance de um&#8230; Instante. Em pouco tempo. A estrada em chamas.</p>
<p class="MsoBodyText">Se não faço sentido é porque estou correndo. Correndo o mais rápido que posso. Correndo sobre quatro patas. Feridas. Exausto. Ofegante.</p>
<p class="MsoBodyText">Tudo aconteceu tão rapidamente, alguns instantes atrás. Os instantes por aqui duram anos, eras&#8230;</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">&#8230; our shadows taller than our souls &#8230;</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US"><br />
</span></em></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText">Em um minuto estava ali, sentado, catando os cacos com uma auto-condescendência que me confortava. A raposa brincava ao meu redor, raposamente indiferente. Em outro momento, aquela mão me ajudava a levantar, um pé me empurrava ao chão de novo – só pra me “acordar daquilo”. Novamente a mão reconfortante&#8230; e aquele sorriso.</p>
<p class="MsoBodyText">Talvez a coisa mais aterradora que eu já tenha visto até então: aquele sorriso. Humilhante, hipnotizador, extraordinário, terrível. Por um instante (e, repito, os instantes aqui se contam geologicamente) me senti como um inseto atraído pela fascinante e fatal luz, ou como um camundongo preso no olhar de uma serpente: o destino escancarado aos meus olhos, mas sem poder me mover para o outro lado e sem querer desviar o meu olhar.</p>
<p class="MsoBodyText">Na verdade, não estou sendo completamente sincero. Já sabia o que me esperava mesmo antes da primeira vez em que caminhei por esta estrada. Mas essas são aquelas coisas que você sempre “sabe-sem saber” ou “sabe-sem querer saber”.</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">&#8230; there walks a lady we all know &#8230;</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US"><br />
</span></em></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText">“Não existem erros”, uma voz antiga e maternal repetia aos meus ouvidos. Mas é difícil ouvir realmente algo quando você está com medo e correndo. Cada parte de meu corpo doía e adormecia, fazendo com que minha mente se alternasse indefinidamente. Tudo pedia (exigia) atenção. Não se pode dar atenção a tudo.</p>
<p class="MsoBodyText">A verdade é que enquanto me divertia com minha auto-piedade não pude notar meus passos – ou será que a Estrada é que havia mudado ao redor de meus pés? – e, em um instante, lá estava eu: em uma encruzilhada.</p>
<p class="MsoBodyText">O medo tomava meu coração como um animal encurralado que tenta desesperadamente cavar sua saída a unhas e dentes. Devo uma explicação: talvez não haja lugar mais perigoso em uma estória do que uma encruzilhada. Locais onde deuses se perdem, onde são pegos em últimas tentações, onde autor e personagem se confundem. Territórios Dele: o-que-anda-na-curva-do-mundo, o-senhor-das-travessias, Ele.</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">&#8230; that shines white light and wants to show &#8230;</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US"><br />
</span></em></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText">Nessas horas não há muito o que fazer. Não há preparação, não há como voltar atrás. Você está sozinho. Então você olha, decide, fecha os olhos, e segue. É só isso que dá para fazer aqui, na Fronteira. E foi o que fiz. Porém, antes, deixei a única possível oferenda ao altar do guardião desses territórios: mais uma pedra para montar o pequeno caern que enfeita o centro da cruz e que mostra quantas escolhas foram feitas ali. Ou será que servem como lembranças daqueles que se perderam para sempre?</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">No momento em que toma a decisão, você já não está mais na Encruzilhada. Novamente, o caminho se abria à minha frente. Por um milésimo de segundo ainda tentei respirar aliviado, mas eis que percebi o som. No começo bem longe, mas ele se aproximou rapidamente. Seus pés de crocodilo se movem mais rápido do que pensamos. “Tic&#8230; Tac&#8230;” O som é lento, mas contínuo, incessante, enlouquecedor. Tic&#8230; Tac&#8230; Tic&#8230; Tac&#8230; Tic&#8230; Tac&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">Então corri. O mais rápido que pude. Sim, o desespero falou mais alto. Corri como uma raposa caçada por cães e caçadores inexoráveis.</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">Exausto, no fim de minhas forças, algo dirigiu meu olhar para cima (já notaram como nunca olhamos para cima?) e minha mão instintivamente correu ao bolso de meu gibão. Lá estava ele, onde sempre esteve, por pouco não esquecido: o bilhete. E dentro dele, o segredo, que de tão simples é também tão fácil de esquecer.</p>
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">&#8230; how everything still turns to gold</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">And if you listen very hard</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">The tune will come to you at last</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">When all are one and one is all</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">To be a rock and not to roll</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US"><br />
</span></em></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:center;" align="center"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText" style="text-align:justify;"><span lang="EN-US">Não existem erros…</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/65/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=65&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>[Primeira Intermissão]</title>
		<link>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2008/09/23/primeira-intermissao-moonlight-sonata/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 02:23:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Estrela]]></category>
		<category><![CDATA[Intermissão]]></category>
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		<description><![CDATA[Moonlight Sonata . &#8220;Somos senão pó de estrelas.&#8221; &#8220;Se queres entender as coisas aqui de baixo, olha para cima.&#8221; &#8211; diria um antigo, da época em que víamos as estrelas não como uma mistura incandescente de gases, mas como metáforas de nossas próprias vidas. Ecos de uma idade em que olhávamos para cima para vermos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=55&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt; Normal   0   21         false   false   false                             MicrosoftInternetExplorer4 &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt; &lt;![endif]--><!--  --><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --> <!--[endif]--></p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#ff6600;">Moonlight Sonata</span></p>
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center">.</p>
<p align="center"><em>&#8220;Somos senão pó de estrelas.&#8221;</em></p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;Se queres entender as coisas aqui de baixo, olha para cima.&#8221;</em> &#8211; diria um antigo, da época em que víamos as estrelas não como uma mistura incandescente de gases, mas como metáforas de nossas próprias vidas. Ecos de uma idade em que olhávamos para cima para vermos a nós mesmos, em que conseguíamos ver nas estrelas o que elas realmente são: nossos <span style="color:#ff6600;"><strong>espelhos</strong></span>. E,</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;Olhar para as estrelas é olhar para o passado.&#8221;</em> &#8211; ouvi, certa vez. Por um lado, é uma boa forma de ver as coisas, mas prefiro pensar que olhar as estrelas é olhar aquilo que <span style="color:#ff6600;"><strong>é sempre</strong></span>. Os melhores contadores de estórias conhecem esse simples, mas tão extraordinário mistério, e as melhores estórias são aquelas que começam com &#8220;Era uma vez&#8230;&#8221; e terminam com &#8221; &#8230;e viveram felizes para sempre&#8221;. Tira algo aqui, cola dali e você tem</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;Era uma vez&#8230;para sempre&#8221; </em>- e aí está a sua <span style="color:#ff6600;"><strong>fórmula mágica</strong></span>. É isso o que está verdadeiramente</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;Escrito nas estrelas&#8221;</em> &#8211; não é o que dizem? A estrela, no tarô, é a <span style="color:#ff6600;"><strong>esperança</strong></span>. A esperança é a lição das estrelas. E os gregos e os índios já nos ensinavam que as estrelas eram o destino reservado pelos deuses a certos humanos. E isso porque</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;Os deuses nos invejam. Eles nos invejam porque somos mortais, porque qualquer momento pode ser o último&#8221;</em> &#8211; diz o Aquiles do filme. A esperança é o presente da <span style="color:#ff6600;"><strong>mortalidade</strong></span>, é a beleza do momento. A imortalidade das estrelas não é a imortalidade dos deuses. Ser estrela é nossa prerrogativa. Pois,</p>
<p align="center">
<p align="center"><em>&#8220;É necessário ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante&#8221;</em> &#8211; segundo o bigodudo. A estrela brilha porque se consome. O brilho da estrela é a esperança. Brilhando, a estrela passa. E, passando, o que fica é seu rastro, brilhante. A <span style="color:#ff6600;"><strong>vida</strong></span> é o rastro das estrelas.</p>
<p align="center">
<p align="center">Somos senão pó de estrelas. Somos&#8230; para sempre.</p>
<p align="center">.</p>
<p align="center">
<p align="center">
<p>(Dedicado ao pai de um amigo. Vá com Deus seu Luís)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/55/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=55&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Taprógoras</media:title>
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		<title>Lacrimosa</title>
		<link>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2008/09/13/lacrimosa/</link>
		<comments>http://aodisseiadeumsofista.wordpress.com/2008/09/13/lacrimosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Sep 2008 04:08:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estória]]></category>
		<category><![CDATA[Espelho]]></category>
		<category><![CDATA[Estória do Profeta]]></category>
		<category><![CDATA[Lacrimosa]]></category>
		<category><![CDATA[rosa]]></category>

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		<description><![CDATA[avia já algum tempo que eu nadava e, a cada braçada que dava, meu corpo tremia, meus braços vacilavam e eu sentia uma urgente vontade de voltar. Mas, ainda assim, eu nadava. Foi quando que, em alguma parte daquele caminho molhado, deparei-me com um pequeno pato que se debatia com algo que o puxava para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=48&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p style="text-align:justify;">Foi quando que, em alguma parte daquele caminho molhado, deparei-me com um pequeno pato que se debatia com algo que o puxava para dentro do lago. Chegando mais perto, pude perceber que se tratava de um pequeno nó nas folhas de uma planta aquática. Rapidamente, livrei o animalzinho de sua agonia. Confesso que esperava um &#8220;quac&#8221; (ou qualquer outra coisa que um pato faça para agradecer), mas, ao invés disso, a avezinha me encarou com olhos sérios, olhos antigos, com um ar de repreensão selvagem, primitiva, a-cultural, inexplicável por qualquer artifício de minha lógica, mas que senti fundo em minhas entranhas. No mesmo momento, um trecho de uma música me veio à cabeça:</p>
<p align="center"><em>&#8220;Two hearts, one of them will break.</em></p>
<p align="center"><em>Like bad habits on a beautiful day&#8230;&#8221;</em></p>
<p align="center">
<p style="text-align:justify;">A letra estava um pouco errada, mas isso tornava a música ainda mais misteriosa. Para onde eu estava indo?</p>
<p style="text-align:justify;">Quando, enfim, cheguei à ilha, um ânimo inesperado tomou conta de mim. Todas as dúvidas, pesos, hesitações haviam ficado para trás, no lago de lágrimas.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguns dias permaneci escondido, a fim de vê-la sem ser visto. Eu ainda tinha medo (apesar do ânimo renovado), pois ela ainda era uma bruxa&#8230; Logo, tomei minha primeira precaução. Com um olhar para minha fiel raposa companheira, esta pulou em meus ombros e pude então vesti-la: o meu manto de herói. Apesar de todos os recentes contratempos, ela não havia esquecido e o traje mantinha todo o brilho dos velhos tempos.</p>
<p style="text-align:justify;">Aproximando-me do pequeno refúgio que se erguia no centro da ilha, eis que vejo uma gata. Era S******. Do alto de seu altar de indiferença, veio em minha direção, com suas pequenas e elegantes patas silenciosas, e mirou seus olhos de pupilas verticais nos meus. Ora, era só isso?? A grande bruxa era apenas um felino? Meu manto de herói brilhava cada vez mais forte; em um ato quase que instintivo, assumi minha forma de quatro patas e, como se já tivéssemos feito isso inúmeras vezes antes, caminhamos juntos para dentro.</p>
<p style="text-align:justify;">Não me lembro quanto tempo ficamos juntos ali. Um mês, um ano, um século? O tempo passava diferente por aquelas bandas. Ela me revelava um pouco, eu lhe revelava mais um tanto. Eu não ouvia suas palavras o tanto quanto ouvia o seu ser. Ela ouvia as minhas estórias como se estivesse em outro mundo, em outra vida. Isso me dava alento e as estórias brotavam como se fosse primavera.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Era uma vez um profeta que havia devotado a sua vida a achar Deus, mas não qualquer Deus, ou esse Deus que gastamos em nosso dia-a-dia, mas o Deus por trás de tudo. Desde pequeno ele se entregou a essa difícil missão que o levou a caminhos cada vez mais diferentes. Quando criança, ele seguiu as prescrições dos adultos até se tornar um &#8220;pastorzinho&#8221;, mas continuava sem achar Deus. Portanto, revoltou-se contra essas prescrições e contra os adultos. Quando jovem, seguiu seu senso estético até se tornar um músico (ou um crítico de música, já que seu talento era dúbio), mas ainda assim não achou Deus, nem mesmo nas sacras composições de seu amigo maestro. Revoltou-se também com este, e viu que o problema estava em tudo e todos que não permitiam que seu espírito achasse Deus. Foi então que fez uma descoberta estarrecedora: Deus estava morto. Haviam-no matado. O desespero foi tamanho que não sabia para onde fugir. Então fugiu para dentro de si mesmo e permaneceu nessa caverna por alguns anos. Um dia, quando passeava às margens de um rio, absorto em si mesmo, ouviu uma voz em seu ouvido. &#8220;Quem está aí?&#8221; &#8211; perguntou. &#8220;Não me conheces amigo?&#8221; &#8211; respondeu a voz. &#8220;D-D-D&#8230;?&#8221; &#8211; arriscou o profeta. &#8220;Não, pense mais abaixo&#8230;&#8221; &#8211; retrucou a voz. Seu coração estremeceu, as pernas bambearam: &#8220;O que você quer comigo?&#8221; &#8211; gritou. &#8220;Ora, vim lhe contar um segredo.&#8221; &#8211; sorriu entre os ameaçadores dentes pontiagudos. O profeta tentou desviar o olhar, mas o demônio tornou-se o próprio rio e este lhe disse sem voz: &#8220;E se você tivesse apenas uma vida, para sempre? Se não houvesse Céu, Inferno ou reencarnação, mas as mesmas alegrias, sofrimentos e indiferenças, cada mínimo detalhe de cada momento, de novo, de novo e de novo? Se a ampulheta fosse sempre virada outra vez?&#8230;.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu não gostaria de viver tudo de novo&#8230;. &#8211; Interrompeu.</p>
<p style="text-align:justify;">- Por quê? A estória tem uma mensagem legal, não vê? De posse deste saber, você pode fazer de cada momento algo que você queira viver para sempre&#8230; (É claro que eu não acreditava em nenhum palavra desta bobagem que acabava de sair da minha boca, e eu sabia que o segredo também dizia que a aranha e o luar seriam sempre os mesmos, mas eu ainda vestia meu manto de herói e, além do mais, o jeito que ela tinha se expressado havia me pegado de surpresa, estava comovido)</p>
<p style="text-align:justify;">Não disse mais nada. Não precisava. Ambos sabíamos que toda estória é uma bifurcação. Arrependi-me de ter contado aquela estória, mas ela me fez entender que gostava de todas elas, apesar de, a cada uma que ouvia, voltar de seu &#8220;mundo paralelo&#8221; com um machucado maior.</p>
<p style="text-align:justify;">Muitas alegrias ela me trouxe. Seus lábios eram como o lar de um viajante que voltara de anos de guerras e desventuras. Gostaria de acreditar que levara alegrias para ela também. Mas a verdade é que seus tristes olhos continuavam a chorar as lágrimas que enchiam o lago. Ela era livre, podia sair da ilha a hora que quisesse. Se interrompesse o choro, em pouco tempo o lago secaria, permitindo-lhe seguir caminho. Ela sabia disso. Mas algo a segurava.</p>
<p style="text-align:justify;">- E se tivesse sido diferente? E se tivéssemos nos encontrado em outro tempo, de outra forma? &#8211; um dia ela me perguntou.</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu teria dado a você a estória mais linda que você já viu. &#8211; respondi (surpreso pela facilidade em que a resposta me surgiu).</p>
<p style="text-align:justify;">- Não teria não. &#8211; redargüiu.</p>
<p style="text-align:justify;">- Como não? Eu não te concedo a liberdade que você tanto preza? Você não é livre, feliz, nos momentos em que estamos juntos? &#8211; argumentei, um tanto quanto ofendido. Gostaria de adicionar ainda: &#8220;Como você pode pensar Nele ainda? Pois não era Ele que te aprisionava? Que te tolhia?&#8221; &#8211; mas não quis machucá-la ainda mais. Gostava de ouvir as poucas vezes em que me falava por detrás de sua fortaleza.</p>
<p style="text-align:justify;">- Sim, mas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Mas qual é esse segredo que você me esconde? Qual é esse fogo do qual você me protege com sua barreira tão alta, queimando-se sozinha? Não faça isso, eu quero saber. &#8211; Meu manto brilhava como uma supernova.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela viu a curiosidade falar mais alto em mim que o amor (Acho que ela já sabia disso e confesso tristemente que eu também). Olhou seriamente em meus olhos e revelou o segredo sem dizer uma só palavra:</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Eu sou apenas o seu espelho, como você é o meu. Nele, nós criamos a nós mesmos, por comparação. Usamos-nos. Eu percebi seu manto desde o primeiro momento e me aproveitei dele. Você viu o meu também, e se aproveitou. Mas um reflexo nunca deixa de ser isso: um reflexo. Eu adoro suas estórias, mas elas me mostram um reflexo que eu não gosto de ver, que me machuca. Você vive desviando o olhar de muitos reflexos que te passo também. Um dia você irá se cansar. (‘Nunca&#8217; &#8211; eu disse, mentindo expressamente) Um dia o espelho cansa nossos olhos. É sempre assim. Eu não sou sua rosa. Gostaria que você fosse a minha. Mas não somos.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Fechei os olhos para conter as lágrimas que já amarravam minha garganta e, quando os abri novamente, estava de volta à Estrada. Do meu lado, a raposa se divertia, radiante, com suas forças renovadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Levantei-me. Chacoalhei o sonho. E senti um barulho dentro do meu peito.</p>
<p style="text-align:justify;">Um barulho de algo quebrado&#8230;</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=48&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>…and if you’re so clever, why you’re on your own tonight?</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Aug 2008 19:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Taprógoras</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estória]]></category>
		<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Estória do Anjo]]></category>
		<category><![CDATA[Lacrimosa]]></category>
		<category><![CDATA[Músico]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>

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		<description><![CDATA[dos alguns dias (realmente, é difícil contar o tempo por aqui: ele é selvagem, trapaceiro, inexorável), eis que me deparo com um lago. Um lago enorme, de águas límpidas e calmas, rodeado por belas árvores de outono e visitado pelos mais diversos tipos de aves. Era como eu sempre havia imaginado o Paraíso&#8230; No meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=39&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2008/08/i.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-38" src="http://aodisseiadeumsofista.files.wordpress.com/2008/08/i.gif?w=54&#038;h=102" alt="" width="54" height="102" /></a>dos alguns dias (realmente, é difícil contar o tempo por aqui: ele é selvagem, trapaceiro, inexorável), eis que me deparo com um lago. Um lago enorme, de águas límpidas e calmas, rodeado por belas árvores de outono e visitado pelos mais diversos tipos de aves. Era como eu sempre havia imaginado o Paraíso&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">No meio deste lago havia uma ilha, coberta de um bosque de árvores rigorosamente plantadas que não permitiam qualquer visão de seu interior: de longe, parecia estar vislumbrando uma espécie de fortaleza vegetal há anos esquecida, rodeada por um grande e lindo fosso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Ali, às margens do lago, encontro uma figura interessante: sentado na relva, um jovem músico (pude notar isso pelo fato de que cantarolava algo e tinha um violão cuidadosamente pousado ao seu lado) que, apoiando seu corpo em seus braços, olhava como que hipnotizado para o lago, totalmente esquecido do mundo a sua volta. Usava os cabelos compridos e rebeldes, à maneira dos poetas, tinha o corpo bastante magro, com traços afeminados, e pitava um cachimbo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- Olá, posso me sentar aqui? – perguntei quando havia chegado perto o bastante para ser ouvido.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Respondeu-me com um aceno de cabeça e um sorriso nos lábios.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- Belo lago&#8230; – comecei, meio que para quebrar o gelo.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- Lacrimosa. – respondeu, com uma voz que tocava fundo na alma, seja pela sua doçura, seja pelo seu vigor. Como uma “voz que anuncia o fim dos tempos”, conclui mais tarde comigo mesmo. Notando minha indiferença ao nome, continuou:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- O lago de lágrimas. Vê aquela ilha? Lá está a caverna de S******, a mulher dos tristes olhos. Suas lágrimas enchem esse lago.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">“Como algo tão bonito pode surgir de um sofrimento tão grande?” pensei comigo mesmo. E devo ter pensado alto, pois o músico me respondeu:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- O sofrimento é a alma da beleza, meu amigo. Olhe esta flor (e arrancou uma linda florzinha de pétalas brancas que despontava de um pequeno arbusto ao seu lado): ela já estava morrendo mesmo antes de eu arrancá-la. A flor é a expressão da morte da planta. A beleza é o presente da mortalidade. Disse isso e se calou, como se estivesse envergonhado de revelar tanta coisa. Lançou-me um olhar como se estivesse pedindo desculpas por algo que havia feito.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- Por favor, continue – roguei – Tenho este mesmo pensamento a me rondar, noite e dia. Realmente, a beleza de cada momento está no fato de que aquele momento acabará. A morte dá a beleza da vida. As estrelas são um filme antigo de uma atriz morta. O sofrimento cria as asas da alma&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">“Mas por quê tem que doer tanto?” – era a pergunta que tinha a todo tempo na minha mente (e no meu corpo) e que não me dignei expressar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O músico da triste figura continuava calado. Resolvi contar-lhe uma de minhas estórias:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- Sabe, certa vez ouvi a estória de um anjo que foi incumbido por Deus de anunciar a um jovem num deserto que ele deveria salvar o mundo. O jovem chorava, rogava, suplicava – “Pai, afaste de mim esse cálice!” – mas as ordens ao anjo tinham sido expressas e ele se mantinha irredutível. Então algo aconteceu: alguma coisa doeu dentro do anjo, alguma coisa o corroia. Lutando para manter a pose, o anjo, pela primeira vez, chorou. Foi um choro interno, de apenas duas lágrimas, mas ainda assim cada uma delas queimava mais que três vezes o fogo do inferno. De repente (e será que por causa do anjo? Nunca soube ao certo&#8230;) o jovem parou de relutar e aceitou o fardo (pelo menos, naquela ocasião) e o anjo pôde voltar ao Céu. Chegando lá, foi direto discutir com Deus (porque a relação entre Deus e seus anjos é muito mais amistosa do que diz os livros). Ele dizia: “Por que fizeste isso comigo? Não te servi sempre bem? Nunca cumpri todas as tuas ordens? Não fiquei ao teu lado em todas as ocasiões? Por que me escolheste para machucar o garoto? Não viste que pude sentir o sofrimento dele? Não viste que pude sentir cada dor que ele sentiu ou sentirá? E não digo a dor física, pois isso é coisa de humanos, mas a dor de ser abandonado por todos? A dor de sofrer sozinho&#8230;” “&#8230;a dor da existência?” – completou alegremente Deus, como um médico que, desprendidamente, dá os primeiro tapas no bumbum do recém nascido. O anjo, em sua couraça metálica, tinha achado o seu coração.<span> </span><span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Continou calado, mas pude notar duas lágrimas correrem em suas bochechas. Lágrimas antigas&#8230; Resolvi voltar ao argumento intelectual:</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">- E se o sofrimento tivesse algo que até então não fora explorado? Algo como um diamante escondido em uma rocha escura que ninguém ousa lapidar? Algo como uma formiga de um planetinha isolado na imensidão fria e morta do universo? Algo como&#8230; como&#8230;</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">“&#8230;como uma pedra preciosa cercada de um lago de lágrimas?” – a idéia brotou de repente na minha cabeça. O músico sorriu para mim e cantarolou uma cançãozinha. Se me lembro bem, suas palavras eram algo como:</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">“O espírito fala, interroga, duvida, aprofunda.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">O espírito deve falar, interrogar, duvidar, aprofundar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">O coração não fala, não interroga, não duvida, não aprofunda.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">O coração escuta e se entrega.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">‘Se entrega&#8230;”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center">.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Com lágrimas nos olhos e na alma, joguei-me no lago.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal" style="text-align:center;" align="center"><em><span lang="EN-US">“Oh Mother, I can feel the soil falling over my head…”</span></em></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/aodisseiadeumsofista.wordpress.com/39/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=aodisseiadeumsofista.wordpress.com&amp;blog=4352593&amp;post=39&amp;subd=aodisseiadeumsofista&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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